Mais manifestações contra o trem da alegria do Judiciário no Dia do Trabalhador

Entidade nacional dos analistas leva faixas e cartazes às manifestações do Dia do Trabalhador para alertar sobre o rombo bilionário a ser causado aos cofres públicos e a exclusão dos cidadãos de nível médio para ingressar no funcionalismo do Judiciário da União

Anajus Notícias
2/04/2022

Faixas e cartazes foram  levados nesse domingo, 1º de maio, às manifestações do Dia do Trabalhador em Brasília contra emenda da deputada Erika Kokay (PT-DF) que cria um trem da alegria no Poder Judiciário da União (PJU) ao elevar, para superior, a escolaridade exigida dos Técnicos Judiciários de nível médio nos próximos concursos públicos.

A iniciativa foi da Anajus (Associação Nacional dos Analistas do Poder Judiciário e do Ministério Público da União) para alertar a sociedade para o rombo bilionário que a emenda pode causar aos cofres públicos, podendo servir de suporte para ações judiciais a serem ajuizadas por  cerca de 70 mil profissionais para pleitear ascensão funcional com equiparação salarial aos Analistas Judiciários, a categoria de nível superior já existente nas instituições.

Betina Sales, técnica judiciária aposentada, defendeu mais vagas nos concursos para analistas / Foto: Anajus

Os efeitos da proposta, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados e seguiu para o Senado, mereceu indignação de manifestantes que participaram de atos públicos em Brasília, em boa parte porque também passar a vedar milhões de brasileiros do acesso ao funcionalismo público porque só possuem formação de nível médio.

“O Senado Federal é a oportunidade de acabar com os abusos no Judiciário”, destacou o jornalista Érick Tarlen, criador de um canal de informações na plataforma de compartilhamento de vídeo YouTube, em referência ao apelo feito na campanha da Anajus para que os “Senadores, parem o trem da alegria!”, uma vez que a proposta foi aprovada, em março, na Câmara dos Deputados.

Se há vagas disponíveis para nível superior, os interessados devem disputá-las nos concursos, ao invés de procurarem alternativas fora dessa regra. Foi o que recomenda o casal Hugo e Iana Dantas, ambos auditores do Banco Central, que assumiram os cargos de nível superior, após concurso. “Para chegar a esses cargos de nível superior, fizemos concursos para nível superior”, lembrou Iana. “Isso é absurdo”, comentou Hugo, criticando o trem da alegria. Eles pararam ao lado de uma das faixas da campanha da Anajus contra a emenda ao PL 3.662/2021.

Já a técnica judiciária aposentada Betina Sales, do  Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), aproveitou para tirar shelfies em frente à faixa da Anajus contra o trem da alegria. Defendeu a abertura de mais vagas nos concursos públicos para analistas para a criação de mais oportunidades aos técnicos que fizeram até pós-graduação.

“Ou eles mudam ou mudamos eles”, projetou o administrador de empresas  e contador Djalma Leite de Oliveira, 75 anos, cuja trajetória profissional passou por dois concursos públicos de nível superior. Também fez posse pela iniciativa privada. “O concurso público é a forma correta de ascensão na carreira de servidor”, complementou.

A participação da Anajus nas manifestações de 1º de Maio faz parte da campanha deslanchada desde a semana passada pela derrubada da emenda do trem da alegria  no Judiciário da União. “Vamos continuar com essa luta até que seja eliminada essa emenda”, alertou o presidente da Anajus, Walfredo Carneiro.