Em tempo de pandemia, servidores enfrentam cansaço, insônia e aumento de atividade

Segunda rodada de pesquisa realizada pelo CNJ apontou que isolamento social tem afetado a saúde mental de servidores e magistrados

Da Redação
11/02/2022

Em dois anos da disseminação do novo coronavírus e suas variantes, a maioria dos servidores e magistrados do Judiciário brasileiro admitiu sentir cansaço, insônia, dificuldade de concentração, aumento de peso e dores musculares. 

Também relataram na consulta concluída em dezembro de 2021 que o trabalho recebido é 54,8% maior do que no período anterior à pandemia. Quase metade deles relatou sentir medo (49,5%) e desânimo (43,5%) diante do cenário atual.

Esses dados foram obtidos pela segunda rodada da Pesquisa Saúde Mental no Contexto da Pandemia da Covid-19 junto a 21.646 entrevistados, segundo resultados divulgados nesta semana pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mostram abalos causados pela pandemia no dia a dia da vida pessoal e profissional dos trabalhadores do Judiciário.

O estudo comprova que o isolamento e distanciamento social necessários no momento da pandemia contribuem para a incidência de doenças que afetam servidores e magistrados. Mais de 50% deles perderam familiares e amigos.

Mais da metade dos respondentes (60,8%) afirmaram sentirem-se mais cansados. Quase 48% reclamam de alterações na rotina do sono, e 46,3% afirmaram sentir dificuldade para se concentrar, além de perda de memória. As alterações no peso foram apontadas como um sintoma inédito por 44% dos participantes da pesquisa. 

Em comparação com a pesquisa realizada no primeiro ano da pandemia, a maioria do quadro está trabalhando mais, seja em modelo híbrido ou remoto. Antes essa sensação, na rodada da pesquisa realizada em 2020, era percebida por apenas 38% dos respondentes.

Para 66,6% dos trabalhadores, agora é preciso dedicar mais horas ao trabalho. Anteriormente, essa percepção foi considerada por 47,5%.

“As pessoas têm a sensação de estar dedicando mais tempo ao trabalho que antes”, explicou a diretora-Executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), Gabriela de Azevedo Soares.

Trabalho virtual

Em relação à forma de trabalho, apesar de ampla maioria estar vacinada e, portanto, fora do grupo de risco, ainda assim, 15% dos entrevistados não se sentem seguros no retorno ao trabalho presencial e 35% deles preferem reuniões virtuais. 

Para sentirem segurança em uma provável volta ao trabalho presencial, dois em cada três profissionais do Judiciário (66,1%), citaram como requisito a obrigatoriedade de apresentação de comprovante de vacina. 

O uso obrigatório da máscara dentro das unidades de Justiça foi indicado por 65% e o estabelecimento de um rodízio de trabalho foi elencado por 63% do total de pessoas entrevistadas. 

Panorama de ações

Desde 2020, o CNJ tem levantado junto aos profissionais da Justiça o que mudou em suas vidas desde que passaram a lidar com as medidas sanitárias necessárias para conter  e evitar a disseminação do novo coronavírus. 

O resultado da pesquisa, feita por encomenda do CNJ ao Comitê Gestor Nacional de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores, servirá para que o órgão trace um panorama de ações que deverão ser priorizadas para proteger a saúde dos funcionários.