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Prisão de Michel Temer pode atrapalhar tramitação da reforma da Previdência, dizem analistas

Prisão de Michel Temer pode atrapalhar tramitação da reforma da Previdência, dizem analistas

Especialistas conculturados pelo InfoMoney veem acirramento de tensão entre "velha" e "nova" política e risco de atrasos na discussão da proposta no Congresso

INFOMONEY
21/03/2019

A prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), pela força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro neste quinta-feira(21), deve trazer impactos relevantes à agenda política em Brasilia.

Na avaliação de analistas políticos consultados pelo InfoMoney, o acontecimento tem potencial de atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência e contribui para ampliar o clima de tensão na capital federal.

"Deve aumentar a incerteza e a confusão. Esse clima de desconfiança e disputa entre velha e nova política tende a se acentuar. Acho que prejudica o clima e a relação entre governo e Congresso Nacional", diz o analista político Ricardo Ribeiro, da MCM Consultores.

Para o especialista, o clima belicoso que pode ser intensificado com o evento e adiar o calendário da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) na Câmara dos Deputados. "É ruim para quem precisa de 60% [de apoio nas duas casas legislativas] para aprovar reforma". complementa.

O cientista político Carlos Melo, professor do Insper, diz que a prisão continua a interferir no foco das reformas no Poder Legislativo. "Bolsonaro venderá como realização dele, mas não creio que cola. O governo precisa agir no Congresso, mais do que na propaganda", afirmou.

Visão similar tem o analista político Leopoldo Vieira, da consultoria Idealpolitik. Para ele, o MDB, embora tenha diminuído sensivelmente seu peso no parlamento nesta nova legislatura – de 65 para 34 deputados federais eleitos entre as últimas disputas –, tende a tensionar o ambiente de negociação com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"A sociedade apoia, é mais um capítulo da implosão do sistema político brasileiro. Isso da fôlego pra travar a reforma [da Previdência], já que o MDB vai querer negociar com o governo não a situação de Temer, mas o que isso representa pro futuro do partido" , avalia

Para o analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, mesmo se a prisão não se mostrar duradoura, os impactos políticos já devem se sentidos. No caso da agenda de reformas do governo, o calendário de tramitação da PEC tende a ser o primeiro sacricado – o que pode levar a votação do texto no plenário da Câmara dos Deputados para depois do recesso parlamentar de julho

"Há dois efeitos diretos [da prisão de Temer]: 1) a diminuição do espaço para o debate da reforma nas duas casas legislativas. Naturalmente, o episódio de hoje vai repercutir. Isso reduz a capacidade política para fazer a discussão do tema; 2) o governo Bolsonaro e seu núcleo familiar devem buscar distanciamento ainda maior da classe política. Isso queima pontes com os parlamentares", observa Cortez.

Além disso, o especialista também vislumbra a possibilidade de outras agendas do bolsonarismo ganharem força e disputarem o espaço prioritário ocupado pela reforma previdenciária na agenda. "Os dilemas de um excesso de agenda, que já estava consolidado como risco à reforma, ca reforçado", aponta

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