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Governo pode cortar salários para custear auxílio aos pobres na crise

Bolsonaro deveria enviar ao Congresso sua proposta de redução para os três Poderes

O Globo 15/06/2020

Jair Bolsonaro disse na semana passada que aceitaria estender e até aumentar o valor do auxílio emergencial pago a trabalhadores informais se deputados e senadores resolverem cortar os próprios salários. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), retrucou com um convite ao governo para imediata negociação sobre redução salarial, mesmo temporária, nos três Poderes.

Somado, o custo de mão de obra do Executivo, Legislativo e Judiciário supera R$ 200 bilhões ao ano. Maia explicou: “Desses R$ 200 bilhões, incluindo servidores, ministros, presidente da República, R$ 170 bilhões são do Poder Executivo”. Acrescentou: “R$ 25 bilhões são do Ministério Público e do Judiciário, e R$ 5 bilhões são do Congresso Nacional. Se o debate for esse, não há nenhum problema que todo mundo participe para compensar a manutenção de dois meses ou três da renda mínima.”

No início da pandemia, Bolsonaro vetou um corte (30%) nos salários do setor público. Propôs ao Congresso congelamento temporário dos aumentos. Ao mesmo tempo, aprovou redução temporária (de até 70%) nos salários do setor privado.

Com essa partilha de sacrifícios na crise, assegurou ao funcionalismo a vantagem que já possuía em relação à massa de trabalhadores privados. Vale lembrar: o Estado já pagava aos servidores federais e estaduais salários cerca de 20% superiores à média da área privada, segundo o Banco Mundial.

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