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ANAJUS aciona CNJ contra TSE por falta de eleições de representantes de servidores na Comissão de Assédio

ANAJUS aciona CNJ contra TSE por falta de eleições de representantes de servidores na Comissão de Assédio

Entidade dos analistas já havia informado a presidência da Corte Eleitoral sobre a necessidade de ajustes às novas regras para compor colegiado responsável pelo recebimento e apuração de denúncias

Anajus Notícias
14/02/2022

A ANAJUS deu entrada em Pedidos de Providências, no Conselho Nacional de Justiça, contra o Tribunal Superior Eleitoral. Aponta a recusa do TSE em cumprir decisão do CNJ que determina a realização de eleições de representantes de servidores de entidades e de terceirizados na Comissão de Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação (Copead).

Na composição atual, definida na semana passada pela Presidência da Corte, a Comissão não conta com nenhum analista, cargo de nível superior, eleito e indicado por entidade representativa, como a ANAJUS (Associação Nacional dos Analistas do Poder Judiciário e do Ministério Público da União). Não foram eleitos e são servidores de nível médio os representantes indicados por sindicato do setor e pela associação dos servidores do TSE. Houve a eleição apenas de uma representante de servidores não vinculada a entidades.

No pedido da ANAJUS, ainda há a solicitação para que o CNJ determine a apuração de eventual prática de assédio moral organizacional no TSE, que é responsável por organizar as eleições no país, mas não promoveu, internamente, escolhas de representantes dos servidores vinculados a entidades pelo voto.

A regra de escolhas pela via eleitoral está prevista na Resolução 351 do CNJ, que foi alterada, em agosto de 2021, pelo CNJ, para que a escolha por voto dos representantes das entidades de servidores fosse obrigatória. Para a ANAJUS, não se aplica ao TSE a exceção de indicação pelos tribunais prevista para unidades de menor porte.

Segundo o relatório da Copead, para 2022, o TSE deve promover um plano de capacitação para os membros da Comissão e a comunidade do Tribunal. A medida vai habilitar os membros do colegiado para a recepção de denúncias, o acolhimento e a orientação de eventuais vítimas, bem como para a sugestão de medidas capazes de prevenir situações de assédio no ambiente de trabalho. Daí a entidade considera relevante a capacitação de representantes legitimados pelo voto.

Novas regras

Em duas petições, a ANAJUS levou ao conhecimento da equipe do presidente do TSE a informação do descumprimento da Resolução do CNJ. A primeira protocolada no dia 23 de fevereiro, um dia depois da posse do atual presidente, ministro Edson Fachin.

Na oportunidade, a ANAJUS alertou que haveria mudanças na comissão com a mudança na Presidência e a chance para que os critérios de escolhas pudessem ser atualizados conforme o CNJ, inclusive pleiteando a vaga para representante dos analistas. No pedido, a ANAJUS requereu que, até que houvesse a atualização das regras, não ocorressem novas nomeações. A matéria não foi analisada.

No dia 4 de março, a ANAJUS reiterou o requerimento para que o TSE cumprisse a determinação do CNJ. Esse pedido ocorreu porque, depois da atuação da ANAJUS, houve mobilização para indicar novos nomes para a comissão de enfrentamento ao assédio sem cumprir as regras do CNJ, ou seja, sem dar aos servidores e colaboradores o direito de escolher seus representantes pelo voto. A solicitação mais recente, apesar de anteceder e ser prejudiciais em relação às indicações, também foi ignorada pela administração do TSE. Esses fatos foram levados ao conhecimento do CNJ.

As indicações sem eleição feitas pela associação e pelo sindicato dos servidores, ambos dominado por servidores técnicos, têm indicado nomes, passando por cima da determinação de que os escolhidos devem ser eleitos. O que impede que a Comissão atue de forma independente, ao contrário do que determinou o CNJ. Sem falar na escolha dos estagiários e colaboradores, que, por serem feitas pela administração, nunca terão como prioridade os interesses dos servidores.

No pedido, a ANAJUS aponta que a Justiça Eleitoral também está sujeita às determinações do CNJ, com base na Resolução CNJ 216/2016, segundo a qual: “Aplicam-se à Justiça Eleitoral todas as Resoluções e determinações expedidas pelo CNJ, notadamente em matéria administrativa, financeira e disciplinar.”

Espaço estratégico

A ANAJUS defende a participação de analista indicado pela entidade porque considera a Copead como um espaço estratégico por ter a atribuição de sugerir alterações nas políticas de gestão de pessoas. Dessa forma, a presença de um representante da categoria ajudará que os analistas ocupem espaços na luta para diminuir a prática de desvio de função nos cargos de chefia.

Atualmente, porém, o quadro é amplamente desfavorável aos analistas. Na comissão há quatro vezes mais técnicos e duas vezes mais magistrados que analistas.

 
Fundada em 2008, a ANAJUS (Associação Nacional dos Analistas do Poder Judiciário da União e do Ministério Público da União) representa e defende os interesses dos analistas do PJU e do MPU.
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