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Ala política do governo não quer enviar reforma administrativa ao Congresso neste ano

Ala política do governo não quer enviar reforma administrativa ao Congresso neste ano

Proposta muda estabilidade no serviço público, acaba com as promoções automáticas e reduz salários de ingresso no funcionalismo.

GLOBO
BLOG DO VALDO CRUZ
21/11/2019

A ala política do governo do presidente Jair Bolsonaro já praticamente convenceu o chefe e defende não enviar a reforma administrativa ao Congresso ainda neste ano.

Com isso, deve vencer a disputa com a equipe econômica, que já está com o texto pronto e havia prometido ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encaminhá-lo em novembro.

Dentro do Palácio do Planalto, assessores presidenciais avaliam que o momento político não é propício para encaminhar a reforma administrativa, pois poderia dar munição à esquerda e a servidores públicos para realizarem protestos contra o governo.

Nas palavras de um assessor, o ambiente político nos países vizinhos, de tensão e protestos, recomenda cautela neste final de ano.

Além disso, argumenta que o Congresso já está com várias pautas do governo para serem votadas, e que são mais prioritárias neste momento do que a reforma administrativa, como as Propostas de Emenda Constitucional do Pacto Federativo e projetos como o da autonomia do Banco Central.

“Vamos priorizar o que tem mais efeito no curto prazo, como a PEC da Emergência Fiscal", diz um auxiliar presidencial.

A equipe econômica prefere enviar a PEC da reforma administrativa ainda neste ano, mas, na última conversa entre o presidente Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, a sinalização foi a de que a melhor estratégia seria deixar para o próximo ano a medida que propõe mudar o sistema de estabilidade no serviço público, acabar com as promoções automáticas e reduzir os salários de ingresso no funcionalismo público.

A medida continua sendo tratada como essencial pela equipe econômica, diante da necessidade de se reduzir os gastos com a folha de pagamento, o segundo item que mais pesa das despesas da União.

Mas a própria equipe de Paulo Guedes reconhece que é preciso priorizar, por exemplo, a votação da PEC da Emergência Fiscal, que cria vários gatilhos para reduzir os gastos federais quando a regra de ouro é descumprida. Esse mecanismo impede a União de se endividar para pagamento de despesas correntes.

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