A subutilização de Analistas do Poder Judiciários e do Ministério Público da União tem sido um problema recorrente, especialmente no que diz respeito à designação desses servidores para funções meramente burocráticas ou de apoio administrativo. Este cenário não apenas compromete a eficiência institucional, mas também configura, em muitos casos, desvio de função e assédio organizacional, prejudicando o servidor e a administração pública.
Conforme estabelecido nos normativos que regem a atuação dos analistas judiciários, suas atribuições são específicas e demandam elevado grau de complexidade, exigindo formação superior e habilidades técnicas. O desvio de função ocorre quando esses servidores, em vez de desempenharem atividades de natureza estratégica, são designados para tarefas alheias à sua área de especialização, como atendimento ao público, organização de arquivos ou outras funções de caráter meramente burocrático.
Esse tipo de prática viola o princípio da eficiência, previsto no artigo 37 da Constituição Federal, além de comprometer a gestão de recursos humanos na administração pública. A Resolução nº 219/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) destaca a importância de uma gestão adequada dos cargos em função das competências previstas para cada servidor, recomendando que as atividades sejam distribuídas de maneira proporcional às atribuições descritas nos concursos públicos.
O desvio de função não é apenas uma questão técnica: ele tem impactos diretos na motivação e saúde mental dos servidores. A pesquisa “Qualidade de Vida no Trabalho do Judiciário Brasileiro”, realizada pelo CNJ, revelou que o desalinhamento entre as funções desempenhadas e a formação dos servidores é um dos fatores que mais contribuem para o estresse ocupacional. Isso, aliado à percepção de desvalorização profissional, pode levar ao esgotamento emocional, afetando o desempenho e a produtividade.
Além disso, a designação reiterada de analistas para atividades incompatíveis com sua formação pode caracterizar assédio organizacional. Este conceito, em ascensão nos debates sobre gestão pública e privada, refere-se a práticas institucionais sistemáticas que submetem os servidores a condições constrangedoras ou degradantes. Exemplos incluem:
• Subutilização técnica, quando o servidor é constantemente alocado em atividades que não condizem com sua capacitação;
• Sobrecarregamento desproporcional, colocando demandas excessivas sem estrutura adequada para o desempenho;
• Rebaixamento simbólico, em que a qualificação do servidor é ignorada ou desvalorizada.
O assédio organizacional, além de ser moralmente condenável, pode configurar danos à saúde física e mental dos servidores, bem como acarretar responsabilizações jurídicas para os órgãos públicos.
A ANAJUS tem se posicionado de forma firme na defesa dos Analistas do Poder Judiciário e do MPU. Recentemente, em Assembleia Geral Extraordinária, os diretores ressaltaram a importância de combater práticas de desvio de função e assédio organizacional por meio de ofícios, levantamentos e denúncias junto aos tribunais e órgãos competentes. Entre as iniciativas destacadas estão:
1. Levantamento de Dados: Envio de ofícios aos tribunais e ao MPU para mapear as atividades desempenhadas pelos analistas, identificando possíveis casos de desvio de função e práticas de assédio organizacional.
2. Assessoria Jurídica: Disponibilização de suporte jurídico aos associados para lidar com casos concretos de desvio de função e situações de assédio organizacional, garantindo a defesa dos direitos dos servidores.
3. Conscientização e Campanhas: Criação de materiais informativos e eventos para conscientizar gestores públicos e servidores sobre o que configura assédio organizacional e a importância de preservar a integridade funcional dos analistas.
Para prevenir e corrigir desvios de função e práticas de assédio organizacional, é essencial que as administrações públicas implementem políticas claras de gestão de pessoas. Entre as medidas sugeridas estão:
• Adoção de mecanismos transparentes para a alocação de servidores, com base nas descrições de cargo e competências previstas em lei;
• Fiscalização contínua por parte dos órgãos de controle interno e externo, como corregedorias e tribunais de contas;
• Criação de canais seguros para denúncias de assédio organizacional e desvio de função;
• Capacitação dos gestores para compreender e respeitar as atribuições dos servidores, minimizando práticas prejudiciais.
A ANAJUS segue vigilante, atuando para que os Analistas do Poder Judiciário e do MPU sejam reconhecidos pelo seu valor e desempenhem as atividades para as quais foram devidamente qualificados. Apenas com respeito às atribuições e com a valorização dos servidores será possível alcançar a eficiência e a justiça que a sociedade brasileira demanda.
Se você ou algum colega enfrenta desvio de função, ou assédio organizacional, procure a ANAJUS para apoio e orientação. Nossa missão é garantir o respeito à sua atuação e aos seus direitos.
Fortaleça a sua Carreira: Associe-se à ANAJUS, única entidade voltada à valorização dos Analistas do PJU e do MPU. Clique aqui e preencha o formulário de filiação.
Acompanhe também nossas redes oficiais:
Instagram: https://www.instagram.com/anajusoficial
X: https://twitter.com/anajus_oficial
Telegram: https://t.me/+tb6RBNS0RvMyMjFh
Discord: https://discord.com/invite/dutrJUPq8P
WhatsApp: https://www.whatsapp.com/channel/0029VaVcKamEgGfRCshato3K