Uma vida dedicada ao serviço público

Comprometimento e dedicação marcam a trajetória do profissional da Justiça Eleitoral; em 2006, ele teve de se meter na lama, sob ameaça de encontro com arraias, para levar ao interior do Amapá o instrumento eletrônico essencial para o exercício da democracia

Anajus Notícias
19/04/2021

A entrega e o empenho com o trabalho são as características que fazem o analista judiciário José Seixas de Oliveira se destacar em sua trajetória na Justiça Eleitoral, que começou após ele passar no concurso realizado em 2006. Desde então, já atua há quase 15 anos no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), com muitas histórias para contar sobre a missão de levar o exercício da democracia a todos os eleitores do estado, inclusive nas regiões mais distantes com acesso apenas pela via fluvial, conforme relatou em entrevista à Anajus Notícias, como ocorreu no rio Amapari (AP), onde meteu os pés e parte das pernas na lama para carregar uma urna eletrônica.

Atualmente, José exerce a função de assessor jurídico na assessoria dos juízes membros, mas já passou por várias outras, a maioria em cargos de chefia. Entre elas a atuação como chefe da Seção de Acompanhamento e Gestão de Contratos. Já atuou também como assessor substituto da Diretoria Geral, como assessor jurídico dos juízes membros, assessor jurídico da Corregedoria Regional Eleitoral e foi também assessor jurídico da presidência do TRE-AP por 12 anos, assessorando sete presidentes.

Fazer algo pelo outro – “Da lama à Presidência”

Por isso, de acordo com o próprio analista, a trajetória dele poderia ter o lema “Da lama à presidência”. Na sua avaliação, ter chegado ao maior posto jurídico ocupado por um servidor do Tribunal não é o ponto mais alto de sua carreira.

“O ápice da minha carreira é estar disposto a pisar na lama, se necessário, para prestar o melhor serviço público que eu puder à coletividade”, afirma José.  E complementa: ““O serviço público para mim hoje é mais do que um bom salário e uma certa estabilidade, é ter uma oportunidade de fazer algo pelo outro”.

O relato completo ele mesmo conta no vídeo abaixo, produzido para a série “Nós somos a Justiça Eleitoral”, do Tribunal Superior Eleitoral, a fim de mostrar quem são as pessoas que trabalham diariamente para oferecer o melhor serviço ao eleitor.  

Desafio marcante

Antes de tudo isso, no entanto, o primeiro e mais marcante desafio da carreira veio assim que assumiu o cargo de analista, quando foi designado para trabalhar no interior do estado, na 8ª Zona Eleitoral no município de Tartarugalzinho, a 231 km da capital Macapá.

“Toda a minha trajetória, desde uma zona eleitoral do interior e aquela imagem, carregando uma urna na lama, fala muito para mim e conta muito da minha história, da minha dedicação à Justiça Eleitoral”, avaliou ele. 

A imagem mostra o auge do que era para ter sido uma tarefa simples: treinar os mesários que atuariam nas eleições daquele ano. Tudo estava indo muito bem, até que ele se encaminhou à comunidade de Santa Rosa do Araguari. Para chegar ao destino foram necessárias uma hora e meia por terra e mais duas horas rio adentro.

Em determinado momento da travessia, o motor do barco começou a falhar. José e seus companheiros de viagem, Paulo Cachoeira e Itamar, ficaram cerca de uma hora à deriva no meio do rio, até alcançarem a margem e conseguirem ajuda de um ribeirinho para chegar ao destino final. Mesmo com o atraso, os mesários ainda o aguardavam e enquanto o analista dava o treinamento, seus parceiros consertavam o barco.

José e uma das  equipes de mesárias da 8ª Zona Eleitoral no Município de Tartarugalzinho.  (Foto:arquivo pessoal)

Após o almoço oferecido pelo diretor da escola da comunidade, era hora de descer o rio até onde o carro os esperava. Foi aí que as coisas ficaram mais complicadas. José teve que andar pelo leito seco do rio (por conta da maré baixa) com uma urna nas mãos e com muito cuidado para não levar uma ferroada das arraias embrenhadas na lama.

“A foto é muito marcante até hoje e ilustra bem o que não somente eu, mas todos os servidores da Justiça Eleitoral estamos dispostos a fazer como servidores públicos para garantir que todo cidadão tenha acesso ao direito de votar”, explica o analista. 

 

http://https://www.youtube.com/watch?v=huiNc3jUpmY

O caminho até a Justiça Eleitoral

Antes de ingressar no TRE, no entanto, José Seixas já tinha tido bastante experiência no serviço público de maneira geral. Natural de Belém do Pará, ele é o caçula de 13 irmãos, filhos de pais caboclos marajoaras, como ele mesmo conta. Seu pai, conhecido como Mestre Paulo, por conta da função de mestre-arrais (condutor de embarcações)  que exercia no Ministério dos Transportes, foi a maior inspiração para seguir a carreira. 

“Meu pai era muito querido, porque era muito prestativo, conhecia muitas pessoas. Posso dizer que ele era um servidor no sentido mais completo da palavra”, lembra. Mestre Paulo foi aposentado após um acidente no trabalho, mas mesmo assim continuou trabalhando. Virou eletricista por meio de um curso de correspondência e abriu uma oficina,onde José trabalhava com ele desde pequeno. Quando completou 18 anos, no entanto, o analista foi incentivado pelo pai a buscar uma melhora de vida por meio de outro trabalho. 

O primeiro emprego foi em uma fábrica de sabonetes e perfumes, mas o primeiro contato direto com o serviço público aconteceu ao ser aprovado no processo seletivo para estagiar no Banco da Amazônia, onde trabalhou por dois anos.

Ao som dos concursos

O sonho de ser músico o levou a cursar a graduação pela Universidade Federal do Pará (UFP). Pouco tempo após o fim do estágio no Basa, José foi aprovado no concurso da Prefeitura de Belém, para trabalhar na Fundação Cultural do município (FUMBEL) no cargo de Técnico em Assuntos Culturais. Na FUMBEL ele realizava atividades culturais e musicais voltadas às crianças de localidades carentes e em regiões ribeirinhas próximas de Belém.

José e o violão, uma de suas paixões, além dos concursos públicos | Foto: arquivo pessoal

Permaneceu em sua cidade até os 24 anos. Mas, em busca de um emprego com remuneração melhor para poder enfim pensar em formar sua família, prestou concurso novamente para trabalhar como auxiliar administrativo na Delegacia do Ministério da Educação do estado do Amapá. José foi aprovado em 2º lugar, ganhando 1 das 3 vagas disponíveis. Ainda  também conseguiu a aprovação em outros dois concursos do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União e pôde escolher entre esses dois órgãos públicos. 

Ao optar por trabalhar no MP-AP, ele se apaixonou pelo Direito, após exercer por 10 anos o cargo de Técnico Ministerial. Daí partiu a decisão de uma nova graduação e no ano de 2005, José tornou-se bacharel em Direito pela Universidade Federal do Amapá e fez especializações em Direito Eleitoral e Processual Civil. No ano seguinte, foi aprovado no concurso da Justiça Eleitoral para o cargo de Analista Judiciário, que exerce até os dias de hoje com muita dedicação.  

 

José, a esposa Edileusa e a filha, Isabela. (Foto: arquivo pessoal)