Os pontos da reforma da Previdência que devem ser alterados na Câmara

alterações na proposta do governo
Os pontos da reforma da Previdência que devem ser alterados na Câmara

BPC, aposentadoria rural e capitalização devem cair do relatório que será lido nesta quinta-feira. Já idade mínima e mudança na contribuição têm chances de aprovação

EL PAÍS
13/6/2019

Nesta quinta-feira, o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), deve entregar seu relatório na Comissão Especial que analisa a principal medida econômica proposta até agora pelo Governo Jair Bolsonaro (PSL). Nos últimos dias, o EL PAÍS conversou com lideranças partidárias e analisou parte das 227 sugestões de alterações feitas pelos deputados ao texto original enviado ao Congresso pelo Governo— as chamadas emendas.

Este é o segundo projeto que tramita no Congresso desde o ano 2000 que mais recebeu emendas. Perde apenas para a reforma tributária de 2003, que recebeu 472. “Os deputados não querem ter apenas o ônus de aprovar uma reforma tão dura, mas também o bônus por defenderem determinado segmento”, explicou Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP).

Uma das conclusões possíveis até o momento: a reforma deve ser desidratada —do 1,2 trilhão de reais previsto de economia no período de dez anos, 308,6 bilhões de reais (ou 25%) estão sob forte ameaça porque são medidas que envolvem a população mais pobre, trabalhadores rurais e professores, uma categoria com forte capacidade de fazer pressão. Outra constatação é a de que há dois pontos que devem ser aprovados, ainda que haja certa resistência: fixação de idade mínima para se aposentar e alterações nas alíquotas de contribuição. Por fim, ainda há medidas que dependem de diálogo para serem aprovadas, como a inclusão de estados e municípios na reforma.

Idade mínima

Essa é a principal alteração da reforma. Ela acaba a possibilidade de se aposentar pelo tempo de contribuição. Pela proposta, as mulheres poderão se aposentar a partir dos 62 anos e os homens a partir dos 65 anos. Todos os beneficiários terão de contribuir por ao menos 20 anos. Só receberão 100% da média das contribuições aqueles que contribuírem por quase 40 anos.

O tema tem forte rejeição da oposição, por entender que a população terá de trabalhar muito mais para se aposentar. Mas boa parte dos partidos de centro e de direita não questiona essa mudança, o que faz com suas chances de aprovação sejam altas. Só com essa alteração, a gestão Bolsonaro calcula uma economia de 560,9 bilhões de reais em dez anos.

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