A vez dos Analistas de TI e Direito

Analista de Tecnologia da Informação no Supremo Tribunal Federal, Jósis Alves comemorou a decisão do TJDFT de trocar vagas de pessoal de apoio por analistas capacitados para lidar com o avanço tecnológico e a área-fim do Judiciário

Anajus Notícias
4/11/2021
Jósis se sente feliz ajudando as pessoas a mudar de vida, seja como analista do STF ou coordenador do Gran Cursos Online | Reprodução Instagram

Nascido em uma família simples de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, Jósis Alves decidiu apostar em concursos públicos para melhorar de vida. Depois de passar em exame da Marinha, há seis anos ele virou analista de Tecnologia da Informação (TI) do Supremo Tribunal Federal (STF). E foi mais além. Em Brasília, alçou novos voos e virou professor nessa área e coordenador de curso preparatório para concursos públicos, o Gran Curso Online.

Por isso, o servidor e docente comemorou quando, em setembro deste ano, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) decidiu trocar, no próximo concurso público, as vagas de pessoal de pessoal de apoio para a contratação de mais analistas, especialmente das áreas de TI e Direito: “Achei interessante. Isso demonstra para a gente uma demanda muito grande por profissionais da área-fim e da área de Tecnologia da Informação”, comentou, em entrevista para a seção “Perfil do Analista”, do site da Anajus Notícias.

A proposta de transformação dos cargos foi aprovada pela Corte e encaminhada ao Congresso Nacional para o Congresso Nacional, sem passar pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por não significar aumento de despesas. Ao contrário, o Tribunal diminuirá custos com a substituição de 192 servidores de apoio de nível médio e 4 de auxiliares de nível fundamental por 118 Analistas de nível superior – entre esses, 21 da área de TI.

Saber que pode mais é o lema do analista e professor que usa o tempo livre para ficar com a família, seus filhos e amigos | Reprodução Instagram

Informática para todos

Para o professor, empregos na área de TI são o presente e o futuro no serviço público e praticamente em todas as profissões. “O conhecimento em TI não se resume hoje somente a profissionais da área. Isso acontece em cargos para a área de controle fiscal, que são os auditores, cargos para a área policial também como banco de dados, rede, programação, coisas que a gente não via ser cobradas para outros cargos”, afirma o Jósis.

Jósis traz o funcionalismo desde a adolescência. Quando tinha 16 anos, foi aprovado em concurso para a Marinha do Brasil, onde trabalhou em um navio de guerra que viajava pelo país. Quando já estava mais estabilizado, decidiu ir adiante com a faculdade de Ciências da Computação, que havia postergado por conta da carreira militar. Foi somente com a transferência do Rio de Janeiro, estado onde nasceu, para Brasília, que ele sentiu a necessidade de realizar uma mudança na já consolidada carreira.

O melhor emprego do mundo

Ao chegar no Distrito Federal, Jósis decidiu mudar de área, mas continuou sendo servidor público. Ingressou em uma pós na Universidade de Brasília (UnB) e se preparou para outro concurso. Ele conta que teve pelo menos 10 reprovações, antes de ser aprovado no certame do STF.

“A gente sabe que há cargos e cargos, órgãos e órgãos. Eu vi a possibilidade de melhorar financeiramente e ocupar um cargo que eu gosto, dentro do serviço público, como civil, ingressando nesse concurso em um cargo no STF”, explica. Para ele, o serviço público de uma maneira geral é uma forma igualitária, sem a necessidade de orientações ou indicações de ninguém para se conseguir um cargo estável e com boa remuneração.

Vindo de uma família grande e humilde, Jósis sempre foi incentivado pelos pais a buscar a melhoria de vida por meio da educação. “Eu me lembro até hoje de uma frase que minha mãe repetidamente dizia para mim: – Meu filho. Estuda para ser alguém na vida. Isso fez com que eu sempre buscasse estudar, me dedicar para poder, quando adulto, ter uma vida melhor e proporcionar uma vida melhor também para eles”, lembra.

A segurança e estabilidade oferecida pelo serviço público o tornam o melhor emprego do mundo, segundo Jósis.“Hoje ser servidor público é o melhor emprego do mundo porque você tem a tranquilidade em desenvolver suas atividades sem o medo de, no dia seguinte, chegar e ser mandado para o RH [Departamento de Recursos Humanos] para ser demitido. Não por motivos pessoais, por trabalho, mas às vezes por necessidade daquela organização que não anda muito bem”, compara.

Paixão por ensinar

Mas, já trabalhando no STF, Jósis decidiu exercer sua graduação como um todo e passou a lecionar em universidade e em um curso preparatório para concurso. Durante algum tempo, manteve uma jornada tripla de trabalho e conta que a paixão por ensinar o motivava a continuar. “Sempre gostei de dar aulas, ensinar. Até mesmo na minha época na Marinha, eu já ministrava treinamentos na área. Quando me perguntam qual minha profissão, eu digo que sou professor, em um primeiro momento”, lembra.

Com o passar do tempo, ele se tornou coordenador no curso preparatório e, com isso, teve que parar de lecionar na universidade, pela falta de tempo. “Desempenho a atividade como coordenador de carreiras para os concursos na área de TI. Isso ocupou muito o meu tempo e não tenho mais como ter outra atividade além dessas duas que desempenho. Afinal de contas, a gente também tem que viver”, pontua.

Para equilibrar as carreiras, o especialista em TI separa um horário do dia para cuidar da própria saúde. Assim sua rotina é dividida em exercício físico logo cedo, atividades do STF pela manhã e na parte da tarde e noite ficam as atividades voltadas para o curso preparatório. “Faço essa gestão do tempo para poder conseguir fazer tudo. Sempre coloco tudo bem divido”, orienta.

Essa fórmula é o segredo de uma trajetória bem exitosa com ganhos pessoais valiosos. “Eu sou uma pessoa muito feliz e realizada por ser servidor na minha área de atuação e também cxomo professor, ajudando pessoas a mudarem de vida por meio do concurso público” afirma o analista.

Saber que pode mais é o lema do analista e professor que usa o tempo livre para ficar com a família, seus filhos e amigos | Reprodução Instagram

Tecnologia em alta

Para os atuais servidores e candidatos ao serviço público, Jósis chama atenção para o fato de que a pandemia de Covid-19 antecipou a realidade do teletrabalho, que era uma perspectiva ainda distante. Investir nessa área do conhecimento traz resultados animadores, inclusive em concursos para o Judiciário e o Ministério Público. Isso porque, avalia, a digitalização dos processos judiciários, de uma maneira geral, favorece ainda mais a necessidade de profissionais de tecnologia capacitados.

“Nós, profissionais de TI, estamos sustentando isso [o teletrabalho] e dando suporte para que as pessoas, independentemente de onde estejam, continuem a executar suas atividades. Só vem a reforçar o que eu sempre tenho a dizer: a área de TI tem aumentado muito a sua demanda por profissionais e não somente em órgão públicos, mas na iniciativa privada também é um movimento que tende a ser grande, maior ao longo dos tempos”, reforça.

A recomendação do analista para os colegas é buscar conhecimento. “Independentemente de qual seja a área, é necessário buscar conhecimento sobre essas várias áreas de TI. Hoje, tecnologias como mineração de dados, big data, análise de dados, de uma forma geral, são conhecimentos que não ficam restritos somente a profissionais da área de TI. Buscar já conhecimento sobre isso e até outros conceitos, fugindo da parte de informática básica é interessante para o profissional. A gente vê que há essa cobrança. Talvez não no momento de um concurso, mas, depois, internamente para aquele servidor exercer suas atividades”, aconselha. Palavra de quem é mestre nessa opção profissional. Saber que pode mais é o lema do analista e professor que usa o tempo livre para ficar com a família, seus filhos e amigos.